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Andrew Paulson: O empresário que tenta aumentar popularidade do xadrez

Postado Por Paulo Henrique de Faria em 12 de dezembro de 2013 | 23:50

Empresário tenta aumentar popularidade do xadrez
MATT RICHTEL
DO NEW YORK TIMES

Se o enxadrismo dependesse das palavras, Andrew Paulson seria o campeão mundial indiscutível.
Não existe um momento de sua vida que não seja enriquecido por suas narrativas. Ele envolve a plateia ao contar sobre como trabalhou num laboratório científico do Hospital Johns Hopkins em Baltimore aos 11 anos de idade, sobre sua decisão de assumir-se publicamente gay em Yale, sobre o brutal assassinato na Rússia de dois colegas que suspeita terem sido agentes da KGB e, é claro, sobre suas vitórias no mundo dos negócios.
Hoje Paulson, que tem 55 anos e foi executivo-chefe da SUP, uma grande plataforma de blogs na Rússia, está usando seus talentos narrativos para tentar algo que testaria o melhor publicitário. Ele quer converter o xadrez no próximo esporte de espectadores para as massas.
Conhecida como Fide, a Federação Internacional de Xadrez vendeu direitos mundiais de licenciamento e marketing à empresa de Paulson, a Agon, na esperança de que ele consiga fazer do xadrez um esporte lucrativo, tendo êxito onde outros já fracassaram.
Dibyangshu Sarkar-19.nov.2013/AFP

Indianos jogam xadrez numa rua de Calcutá
Na visão de Paulson, o xadrez pode ser transmitido pela televisão ou por feeds digitais, ser consumido em massa, ser patrocinado pelas maiores empresas do mundo e ser comentado ao vivo. Além disso, os jogadores podem ser símbolos sexuais. Ele também vislumbra uma nova geração de apps que facilite a compreensão do jogo.
"Quem teria imaginado que as pessoas pudessem querer assistir a partidas de golfe na TV, mas estão", disse Paulson. "A Índia inteira está assistindo ao críquete na TV. A única coisa mais chata que críquete é golfe."
Paulson, que vive em Londres, sabe o que a Índia anda assistindo porque passou meses no país antes do recente torneio mundial de xadrez, que foi decidido em Chennai.
O vencedor foi Magnus Carlsen, enxadrista norueguês de 22 anos que figurou na lista da revista "Cosmopolitan" dos homens mais sexy de 2013. Para Paulson, Carlsen "nos traz a oportunidade de revelar o individual dos enxadristas, em vez de sua inescrutabilidade introvertida".
Paulson enfrenta alguns jogadores para os quais os esforços de popularizar o esporte são incultos. Outra dificuldade é que ele está promovendo uma forma de entretenimento em câmera lenta em um mundo em que o tempo de atenção das pessoas é curto.
Seu primeiro grande torneio, em setembro de 2012, teve que ser transferido de última hora da Rússia para Londres. Seu grande evento seguinte, em março, foi um relativo sucesso. Paulson disse que 5 milhões de pessoas acompanharam o evento on-line, enquanto algumas centenas de espectadores no auditório em Londres ouviram os comentaristas e seguiram a partida em tablets.
É o que Paulson descreve como "casting de xadrez", e é essa sua grande ideia. Ela envolve a tecnologia de transmissão ao vivo de imagens múltiplas, incluindo o vídeo da partida que está sendo disputada, dados mostrando em termos simples quem está ganhando e outra imagem da partida controlada por comentaristas que decompõem a ação e mostram lances potenciais.
Mas a ideia não angariou grandes ofertas de patrocínio.
"Precisamos urgentemente de alguém como Andrew. Precisamos de alguém que divulgue o xadrez", disse Malcolm Pein, ex-menino prodígio que virou campeão britânico júnior de xadrez.
Dibyangshu Sarkar-20.nov.2013/AFP

Jogador de xadrez se prepara para mexer uma das peças durante partida na Índia
A economia do xadrez se resume a nove grandes torneios por ano no circuito do campeonato, e o prêmio para o campeão mundial chega a US$ 2,5 milhões. Há sites, lojas e softwares para pessoas que têm o xadrez como hobby. Mas o xadrez está muito mais próximo do Scrabble (Palavras Cruzadas) que da Liga Nacional de Futebol dos Estados Unidos.
As pessoas dos círculos do enxadrismo dizem que tem sido difícil cultivar parcerias porque falta tino para os negócios no esporte. Além disso, alguns enxadristas podem não ser embaixadores ideais do esporte. Em 2012, o presidente atual da federação internacional de xadrez, Kirsan Ilyumzhinov, se reuniu com o ditador sírio, Bashar al Assad. Um ano antes, tinha jogado xadrez na televisão estatal líbia com o coronel Muammar Gaddafi. Ilyumzhinov descreveu na TV russa como foi sequestrado por extraterrestres.
"Se o presidente da Federação Internacional de Xadrez é um homem visto, na melhor das hipóteses, como maluco e, na pior, como monstro, por que uma empresa arriscaria sua reputação?", disse o jornalista britânico Dominic Lawson, que escreve sobre xadrez.

Os círculos enxadrísticos que não envolvem a Fide parecem estar bem impressionados com as ideias de Paulson, mas não com seus resultados. "Por enquanto, minha ideia é vista como interessante, inteligente e romântica", disse Paulson, mencionando que ainda torce por uma "ressurreição". Ele diz que consegue enxergar o caminho para isso, desde que os patrocinadores também consigam. "Quaisquer parceiros possíveis terão benefícios enormes", acrescentou. "Em primeiro lugar, eles terão o xadrez e, em segundo, terão a mim."

Fonte:
Folha de S. Paulo
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