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Thauane Ferreira Medeiros fala das dificuldades de ser enxadrista no Brasil

Postado Por Paulo Henrique de Faria em 14 de novembro de 2013 | 10:01

A matéria abaixo conta um pouco da trajetória da catarinense Thauane Ferreira Medeiros que fez da vida em São Paulo exemplo de força de vontade e superação. Fala de seus desafios, conquistas e vivências mais marcantes na modalidade. As informações contidas abaixo estão na íntegra do texto original publicado pelo Jornal União do ABC. Acompanhe toda a matéria:

A Campeã brasileira de xadrez conta as dificuldades de seguir o esporte no Brasil
Publicado em 12 novembro 2013
Por Juliana Desirée

Thauane de Medeiros é campeã internacional de xadrez e não vai desistir da carreira. Foto: Arquivo pessoal

A história da enxadrista e gremista de coração Thauane de Medeiros certamente é um estimulo a força de vontade. Atualmente com 19 anos, saiu da casa dos pais na cidade de Palhoça em Santa Catarina com objetivo de jogar xadrez em São Paulo. Vive atualmente com dois amigos e paga as despesas com muito esforço. 
Uma de suas dificuldades desde que começou a jogar xadrez aos 8 anos ainda na escola, é o fato de não receber patrocínio de nenhum tipo, pois no Brasil o esporte é pouco difundido e não dá retorno na mídia, já que não é televisionado e tão pouco é categoria olímpica. Mas, se atletas olímpicos tem dificuldade de sobreviver do esporte (com exceção do futebol) no Brasil, imagina viver de xadrez? 
Thauane está tentando essa difícil realidade: além de dar aulas de xadrez, ela escreveu um livro e hoje passa parte do seu tempo vendendo os exemplares autografados em frente ao Masp, em São Paulo. Isso tudo porque ela não consegue patrocinadores precisa pagar as inscrições dos torneios que variam de R$80 a R$200, além das passagens, hospedagem, treinador, etc. 

Ela escreveu um livro com noções básicas de xadrez e vende no vão livre do Masp. Foto: Divulgação

Apesar das dificuldades, ela jura que não vai desistir de seguir carreira e, no futuro, abrir sua própria escolinha de xadrez e explica: “Por exemplo, em Cuba, Rússia, China e Japão a modalidade é muito mais difundida e existe, inclusive, faculdade de xadrez. É algo que eles aprendem ainda crianças, com quatro anos. A família inteira joga, então é uma tradição mesmo. E como as crianças já nascem naquele meio, não tem como elas não praticarem e, além disso, os pais exigem. No Brasil, a prioridade é o futebol, enquanto os países de primeiro mundo abrem espaço para todas as modalidades. Outra diferença enorme é que no Brasil o xadrez não tem mídia. Ao passo que, em alguns países, você pode ver uma partida pela televisão, ao vivo”. 
Thauane tem o sonho de tornar-se grande-mestre de xadrez, que é o último título feminino. E acredita que quando virar mestre, as oportunidades serão muito maiores. Mas para chegar lá, é preciso participar dos torneios e ganhar títulos. Fora do Brasil, onde o xadrez é difundido nas escolas, esses torneios importantes acontecem toda semana dentro da escola. Sem falar que a premiação também é boa. Aqui, o prêmio não paga nem as despesas e ressalta: “Meu outro sonho, desde menina, é ter uma escola de xadrez, para difundir a modalidade e mostrar a sua importância.”
Campeã brasileira Sub-18 e sub-20, já representou o Brasil em diversos torneios internacionais e ainda teve a honra de enfrentar em 2011, o ícone mundial do xadrez, o russo Garry Kasparov.

Thauane de Medeiros é campeã internacional de xadrez e não vai desistir da carreira. Foto: Arquivo pessoal

 “A partida durou mais ou menos 1h40, com cerca de 48 lances. Poderia ter durado mais tempo, porém, eu desisti. Para quem joga profissionalmente, seria antiético saber que vai perder e ir até o xeque-mate (momento da derrota, quando o adversário deixa o seu rei sem movimentos possíveis). Não seria legal com o mestre, então eu antecipei a minha derrota”. Apesar de ter perdido, com certeza eu aprendi muito. Jogar contra o Kasparov foi extremamente emocionante para mim. “Eu joguei com o ícone mundial do xadrez, então foi muito importante”. 

Em 2011 jogando com o russo campeão mundial Garry Kasparov. Foto: Divulgação


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