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Princípios Estratégicos I

Postado Por Paulo Henrique de Faria em 28 de abril de 2016 | 10:30


Recentemente no curso que fiz e no qual obtive aprovação para o título de Instructor Fide, Fide Trainer (Lima/Peru), pude aprofundar meu conhecimento e captar em essência a importância dada pela Chess Lecturer WGM Martha Fierro em questões como a valorização dos clássicos e da história do xadrez para fazer um trabalho mais elaborado e exitoso com os enxadristas, principalmente entre os mais jovens.
Nesse post e em suas outras duas sequências trarei alguns aportes aos leitores que fundamentem a importância de trabalhar com as ideias ou bases de jogadores que deram ao xadrez muita da compreensão que se tem hoje.

Pelos estudos de Tática já postados em nossos Exercícios e Materiais Didáticos anteriormente, notamos os temas combinativos mais frequentes nas partidas, no entanto fica uma pergunta chave, porque ocorre tais temas ou sequências? 

No século XIX acreditava-se que eram consequência do talento e genialidade dos jogadores, exemplos tais como: Anderssen, Morphy ou Zukertort. Mas ao fim do dito século, Wilhelm Steinitz -foto (1836-1900) que é considerado o primeiro campeão mundial, deu base para uma troca de rumos na compreensão do xadrez. Ajudou a ter na época uma nova interpretação, um novo olhar para a maestria no xadrez, postulou uma sólida base para compreender as posições e suas diversas possibilidades que fez a arte de se pensar o jogo ciência ao largo da história seguinte e estabeleceu, leis, ou princípios que regeriam uma nova interpretação do jogo posicional e da importância de se enfocar o xadrez de maneira mais científica. 

Steinitz se perguntou, por exemplo, qual era o segredo das grandes vitórias de Paul Morphy sobre os jogadores de sua época e descobriu que este compreendia melhor os princípios que fundamentavam o ataque ao rei. Morphy não começava um ataque até ter todas as suas peças bem desenvolvidas e sem dominar o centro do tabuleiro e por isso podia castigar melhor as debilidades do oponente. Um pouco mais a frente, em seus tratados, ele propôs que todas as posições podiam ser analisadas (em pormenores) em seus diversos elementos para somente assim obter um correto entendimento da mesma e com base nessa valorização escolher os planos adequados. E entender também que os objetivos do adversário não são escolhidos por meros caprichos, mas sim de acordo com as necessidades especificas de cada posição.

Somente depois de avaliar de maneira objetiva a posição e ter o plano geral traçado e visto de forma correta é que o jogador passaria ao cálculo concreto de jogadas e a buscar seus movimentos seguintes.

Vejamos quais eram os fatores posicionais traçados por Steinits como sendo os mais importantes:

1) Comparação da situação material
2) Mobilidade das peças (controle de linhas e diagonais abertas)
3) O domínio do centro (maior espaço)
4)  Estrutura de peões (Casas fortes e as débeis)
5) Segurança dos reis

Para Steinitz era fundamental compreender que estes fatores não se encontravam de forma isolada um do outro, mas que tinham uma estreita relação, como exemplo, se o rei de um dos jogadores não está em segurança é porque provavelmente a atividade de peças do rival é melhor, etc.

 E também que nem todos os fatores de avaliação são do mesmo tipo, alguns têm um caráter passageiro, outros mais duradouros ou permanentes. Vantagem em desenvolvimento é algo passageiro, a vantagem ou desvantagem material geralmente é algo duradouro.

Depois de obtida essa avalição chamada de “estática”, os jogadores deveriam procurar encontrar os fatores essenciais da posição e saber quem tem vantagem e o porquê. Isto servirá de guia para uma análise mais dinâmica da posição. 

Convém então fazer algumas perguntas críticas:

1-Quais podem ser os planos imediatos e gerais  meus e do meu adversário?
2-Quais as ameaças que eu posso fazer e quais são as de meu adversário?
3-Qual deve ser minha próxima jogada e o que responderá meu adversário?

Steinitz estabeleceu como ponto de partida estes elementos para concluir os princípios a seguir:

1-O enxadrista deve acumular algumas vantagens sobre o adversário para ter possibilidade de atacar e ter sucesso no ataque. 
2- O jogador que possui vantagem (ou iniciativa) tem a obrigação da atacar, pois se não o fizer pode perder sua superioridade. 
3- Deve-se tentar sempre transformar as vantagens passageiras pelas permanentes. (Ex: vantagem de desenvolvimento, espaço e de domínio central em uma vantagem material) 
4- O ataque deve ser feito com a maior quantidade de força possível e nos locais mais frágeis do campo adversário.
5- A defesa deve ser levada a cabo da forma mais econômica possível, para ter condição para contra atacar. 
6- Nas posições equilibradas os jogadores devem manobrar com suas peças com a finalidade acumular pequenas vantagens e assim poder romper o equilíbrio.

E finaliza que estes são alguns dos princípios básicos na luta enxadrística, mas que não devem ser seguidos de maneira dogmática, e sim, como uma orientação criativa e uma forma mais científica de buscar compreender o xadrez.

Em um próximo post, devido a importância de se fazer uma grande introdução traremos esses elementos na prática, dentro do plano estratégico, visto em exemplos de partidas clássicas, não deixe de acompanhar.



Foto: Wikipedia

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