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Conversão Técnica da Superioridade

Postado Por Paulo Henrique de Faria em 2 de setembro de 2011 | 08:56

Ao reproduzirmos partidas, frequentemente nos deparamos com comentários de grandes jogadores mais ou menos assim: “o resto é uma questão de técnica”. É engano, pensar que não é necessário, nessas ocasiões, um jogo correto e determinado em busca da vitória.Em muitas partidas quando tentamos converter em vitória uma vantagem pequena ou grandiosa em determinada posição, e não conseguimos aproveitá-la contra jogadores do mesmo nível ou de nível mais alto, seja isso no treinamento ou em situações reais de jogo nos sentimos muito frustrados. Por que nos acontece isso? As vezes por desconhecimento de temas práticos semelhantes, ou por negligênciar, pois o lado em situação superior tende a jogar de forma descuidada e sem planejar, ou então por subestimar as possibilidades contrárias e superestimar as próprias. A ideia do artigo é tentar demonstrar ao leitor que qualquer posição no tabuleiro exige um plano  claramente concebido. E o modo de trabalharmos a posição em que a vitória é uma simples questão de técnica deve ser bem compreendido.

Para avaliarmos nossa situação nas partidas consideremos dois tipos de vantagem: as de caráter material (duradoura) e posicional (passageira). A tentativa de conversão da vantagem material dá origem a vários problemas, especialmente quando o oponente tem alguma forma de compensação posicional, a saber: peças ativamente colocadas ( temas estratégicos distintos vantagem material x atividade de peças). É óbvio que o plano estratégico a ser adotado dependerá de cada posição particular, mas na maioria dos casos o lado superior em material deverá esforçar-se por simplificar e transpor a posição para um final de partida e se a vantagem é puramente posicional, deveremos considerar se ela é de caráter permanente ou passageiro. Se o oponente tem peões isolados, dobrados, bispo mau, ou peças deslocadas quase que permanentemente da zona de ação, não fará muita diferença se a parte ativa desperdiçar um tempo ou algo assim; será suficiente fortalecer a própria posição e privar o oponente de qualquer contrajogo real. As coisas mudam, entretanto quando a vantagem consiste em uma superior capacidade de ação e coordenação de peças, ou por sua superior concentração em uma particular seção do tabuleiro. Um procedimento muito exato é aqui necessário; cada tempo deverá ser adequadamente utilizado, e preparativos para uma solução combinativa não deverão ser omitidos (sacrifícios de peões/ peças para abertura de linhas, controle de mais casas, ganhar material), os diagramas a seguir mostram dois tipos de vantagem posicional

Avalie o que você consegue entender dessas duas posições.

Responda as seguintes perguntas primeiramente ser ler a continuação do post.
Na imagem da esquerda, com qual cor de peças você gostaria de estar? Considere a igualdade ou diferença material, debilidades e pontos fortes de ambos os lados, situação do rei, estrutura de peões, possibilidade de ataque e força das peças. Repita isso com o diagrama da direita e se quiser anote suas ideias.

Após feita a análise retomamos os comentários:

No primeiro caso as pretas estão com a posição dos peões seriamente enfraquecida, um peão isolado em d5 e os peões dobrados e isolado na ala do rei (com o rei rocado, o que acentua mais a debilidade). Tal situação confere ao oponente uma vantagem decisiva (se conduzir bem a partida), que poderá ser convertida de várias maneiras: por exemplo, as brancas poderão combinar um ataque à ala do rei, no meio jogo, com ameaças ao peão da dama isolado, ou poderão aguardar e explorar as debilidades inimigas ao final da partida. A superioridade das brancas é de caráter tão duradouro que não será necessário obedecer a uma ordem determinada de lances; bastará evitar que as pretas se livrem dos peões fracos (por exemplo: pelos avanços d4, f5-f4) e adotar um plano para deixar a situação das pretas com mais problemas do que elas podem controlar (por exemplo: Dd2, Tfd1, Cd4, Bf3, etc).

A posição é bastante diferente do segundo diagrama. No segundo caso, as pretas tem uma vantagem posicional decisiva (se bem conduzida a partida) devido ao forte centro, par de bispos, linhas abertas para as torres e a ótima coordenação de suas peças (lembrando que tais fatores são passageiros, é uma vantagem dinâmica e por isso o mau conduzimento da partida acarreta a perda da mesma). Em contrapartida as brancas tem um peão a mais (vantagem duradoura, se o inimigo começa a fazer trocas e não jogar com energia criando problemas essa vantagem fica mais interessante). Para se converter a vantagem das pretas terão de tratar taticamente a posição de forma muito precisa. Devem primeiramente evitar simplificações, porque assim as brancas contariam com melhores perspectivas de fazer valer seu peão (é mais fácil para as pretas lutar com 9 caras fortes x 10 mais ou menos do que com 1 forte x 2 mais ou menos por isso as pretas devem manter mais peças) , resumindo o caminho para a vitória se dá por um ataque preciso e enérgico na ala do rei e no centro.

Qual a postura de um jogador quando tem em mãos posições e ataques digamos que impossíveis de serem defendidos e o adversário consegue se defender e ainda vence a partida? Casos assim que acontece até mesmo frente a grandes jogadores devem ser entendidos como momento de amadurecimento no xadrez.
Devemos levar as posições as quais não temos conseguido vencer de forma tranquila a cabo de estudo. Se o jogador tem um preparador, pedir auxílio para que possa encontrar posições semelhantes nas prática dos mestres e analisá-las com minúcia. Voltarmos para nossas próprias partidas faz bem para nosso desenvolvimento, pedir ajuda para pessoas mais experientes, ou até mesmo no fim da partida trocar análises e avaliações com nossos adversários podem nos fazer melhorar nosso nível.

A única coisa que não podemos fazer quando não conseguimos converter nossa superioridade posicional em vitória é esquecer que ainda nos falta conhecimentos e deixar por isso mesmo, cheio de tristeza por ter deixado de vencer um jogador renomado por negligência, ou um rival para quem sempre perdemos. O importante é reconhecer os erros para corrigi-los.

Artigo baseado na obra Estratégia Moderna no Xadrez, Pachman, Ludek.


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+ comentários + 3 comentários

27 de agosto de 2012 17:53

Bom artigo.

24 de setembro de 2012 23:01

Obrigado pelo comentário Humberto. Continue a acompanhar nosso trabalho.

29 de janeiro de 2017 21:34

Gostei muito

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